Sobre o projeto

Os Últimos Guerrilheiros é um projeto de livrorreportagem e de site multimídia sobre ex-guerrilheiros sul-americanos desenvolvido pelo jornalista Carlos Alberto Jr.

A ideia de escrever o livro surgiu durante pesquisa para um projeto de documentário relacionado a movimentos de esquerda no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.

As leituras me levaram à Junta Coordenadora Revolucionária (JCR), uma aliança entre grupos guerrilheiros de esquerda sul-americanos para financiar e organizar operações conjuntas de combate às ditaduras nos países do Cone Sul.

A Junta era formada pelo Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), do Chile; o Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP), da Argentina; o Ejército de Liberación Nacional (ELN), da Bolívia; e o Movimiento de Liberación Nacional – Tupamaros (MLN-T), do Uruguai. Os grupos foram dizimados pelas ditaduras, organizadas na Operação Condor. Boa parte de seus integrantes acabaram presos, torturados e mortos.

Assim surgiu o projeto Os Últimos Guerrilheiros.

A primeira fase pretende resgatar a trajetória de três personagens que contribuíram para a luta contra os regimes militares em seus respectivos países. No Paraguai, o personagem é o advogado Martín Almada. Preso pela ditadura de Alfredo Stroessner na década de 70, Almada foi torturado sob a falsa acusação de integrar um plano para assassinar o ditador-presidente. Foi solto três anos depois, por pressão de organismos internacionais, e viveu vários anos no exílio. Em 1992, de volta ao Paraguai, recebeu a informação de que numa delegacia da periferia da capital Assunção havia documentos sobre a ditadura.

A informação revelou-se valiosa. Numa pequena sala da delegacia estar milhares de documentos da ditadura paraguaia sobre presos políticos, detalhes de torturas, de assassinatos e do desaparecimento de corpos de militantes e de cidadãos comuns, até hoje dados como “desaparecidos políticos”. A documentação ficou conhecida como “Os Arquivos do Terror”.

Aos 79 anos, Almada vive em Assunção com a segunda esposa, a jornalista e pesquisadora argentina Maria Stella Cáceres de Almada. Os dois estão engajados na luta pelos direitos humanos. Martín Almada nunca integrou qualquer grupo guerrilheiro, mas entra no livro como guerrilheiro dentro de um conceito mais amplo, de alguém que combateu a ditadura sem pegar em armas, porém de maneira bastante efetiva.

A segunda personagem é Loyola Guzmán, boliviana que integrou o grupo de guerrilheiros liderados por Che Guevara em 1967. Presa e torturada, Loyola tentou se matar atirando-se da janela do prédio em que estava detida. Não queria que as torturas a fizessem entregar os companheiros de luta. Aos 73 anos, ela dedicou a vida à luta pela defesa dos Direitos Humanos e vive em La Paz. Foi fundadora e dirigente da Associação de Familiares de Presos e Desaparecidos.

Na Venezuela, o personagem é Douglas Bravo, ex-guerrilheiro e ex-líder das Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), grupo guerrilheiro que atuou no país na década de 1970. Bravo aderiu ao Partido Comunista da Venezuela em 1946, aos 12 anos de idade, e foi expulso em 1965.

Ele teve participação nos fracassados golpes de Estado de 4 de fevereiro e de 27 de novembro de 1992. Bravo conseguiu infiltrar vários militantes nos quadros das forças armadas venezuelanas, inclusive o coronel Hugo Chávez, que mais tarde seria eleito presidente da República e de quem se afastou por considerá-lo neoliberal e burguês. Aos 84 anos, Bravo lidera o movimento Terceiro Caminho, e permanece anti-imperialista e nacionalista.

Martín Almada, Loyola Guzmán e Douglas Bravo representam capítulos importantes na história da América Latina, por isso a produção de um livro-reportagem sobre suas trajetórias torna relevante o projeto de resgate da memória da luta contra as ditaduras que se impuseram nos países do Cone Sul nas décadas de 1960 e 1970.

Pouco se publica sobre a América do Sul na imprensa brasileira. Nos livros didáticos, o espaço dedicado ao assunto também é insuficiente para mostrar a importância das nações vizinhas para o Brasil.

O projeto Os Últimos Guerrilheiros começou a ser realizado por meio de um financiamento coletivo. Lancei uma campanha de arrecadação pela plataforma Kickante que ficou dois meses no ar. Apesar de não ter conseguido atingir a meta estabelecida, o resultado foi muito positivo e permitirá realizar as viagens aos três países para as entrevistas com os personagens.

Embarco no próximo dia 6 de agosto para o Paraguai. De lá sigo para a Bolívia e, depois, Venezuela. Ficarei uma semana em cada país para entrevistar e acompanhar a rotina de Martín Almada, Loyola Guzmán e Douglas Bravo.

A proposta deste site é que permitir que as pessoas interessadas no assunto possam acompanhar todas as etapas da produção. Postarei vídeos com depoimentos, entrevistas, dicas de livros e filmes, reportagens relacionadas ao tema.

Espero que a integração e a troca de informações com os leitores seja produtiva e ajude a aumentar o interesse pela história da América Latina.

O projeto tem uma página no facebook. Para conhecer, basta clicar aqui.

Os Últimos Guerrilheiros precisa de mais recursos para ser realizado. O livro é a primeira fase de um projeto mais amplo. Todo o trabalho de pesquisa realizado agora será aproveitado na pré-produção de um documentário sobre o tema. Mas isso é conversa para mais adiante.

Por enquanto, é possível contribuir via transferência bancária e pelo PayPal.

Para quem optar pelo pagamento via PayPal, é só seguir o link:https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr…
Para transferência bancária, seguem os dados:

BANCO BRADESCO
agência: 0977
c/c 0125046-9
Carlos Alberto Fernandes Pereira Junior
CPF: 007.190.087-00

Obrigado, sejam bem-vindos e compartilhem os links do projeto!

Um abraço a todos!
‪#‎osultimosguerrilheiros‬

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Um comentário em “Sobre o projeto

  1. Pingback: Martín Almada

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