Pompeyo Márquez

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Pompeyo Márquez e o cachorro Rocky

O jornalista e ex-senador Pompeyo Márquez foi colaborador das guerrilhas venezuelanas nas décadas de 60 e 70. Aos 94 anos, fala com uma voz rouca, tem dificuldade para articular algumas palavras  e uma tosse que o interrompe com frequência. Foi preso pela primeira vez aos 14 anos, por distribuir um manifesto em protesto pela morte de um estudante na Universidade da Venezuela. Integrante do Partido Comunista da Venezuela, foi comissário político do grupo guerrilheiro de Douglas Bravo, que operava na região da serra de Falcón.

Detido em 1964 pelo governo boliviano, escapou da prisão por um buraco cavado a partir de uma casa vizinha ao quartel onde Pompeyo estava preso. Ontem à tarde conversei com ele em sua casa, num bairro tranquilo de Caracas.

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O corpo e a saúde estão frágeis, mas os olhos atentos de Pompeyo brilham quando relembra a luta política contra as ditaduras na Venezuela.

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Traumas de uma ditadura

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Julio Llanos Rojas

Estive em La Paz de domingo a sexta-feira da semana passada. Pouco tempo, é verdade, mas uma oportunidade para travar contato com pessoas com histórias fascinantes e que me apontaram caminhos igualmente fascinantes nessa jornada para conhecer um pouco da realidade boliviana.

Um dos relatos que mais me impressionou foi o de Julio Llanos Rojas, ex-preso político, vítima da tortura e lutador em defesa dos direitos humanos. O post anterior também foi sobre ele. Para ler, clique aqui.

Gravei três vídeos curtos com Julio. Neste, ele conta como sua família sofreu no período da ditadura, e os traumas psicológicos sobre a esposa e os três filhos.

Julio Llanos Rojas

FullSizeRenderJulio Llanos Rojas não tem metade do dedo médio da mão esquerda. Sobre isso falaremos mais adiante. Faz mais de quatro anos que Llanos e um grupo de vítimas da ditadura boliviana (1964-1982) estão acampados em vigília em frente ao prédio do Ministério da Justiça, na Avenida Mariscal Santa Cruz, uma das principais da capital La Paz.

Desde o início do movimento, as barracas em que os integrantes do grupo se revezam foram atacadas, incendiadas, depredadas e 19 dos ativistas, boa parte com mais de 70 anos, morreram à espera que suas reivindicações sejam atendidas.

O grupo faz seis reivindicações ao governo da Bolívia:

  1. a criação de uma Comissão da Verdade, Justiça e Reparação;
  2. que os arquivos em poder das Forças Armadas referentes às ditaduras sejam desclassificados;
  3. o cumprimento da Lei 2.640, de março de 2004, que prevê o ressarcimento às vítimas da violência política em períodos de governos inconstitucionais;
  4. cumprimento de resoluções da ONU e do Comitê Contra a Tortura;
  5. revisão das decisões judiciais que consideraram as ações das vítimas desqualificadas, desestimadas e improcedentes;
  6. convocação para a apresentação de novas ações pelas vítimas que ainda não o fizeram.

Conversei com Julio Llanos na manhã da última quarta-feira, dia 17 de agosto, no acampamento improvisado em frente ao Ministério da Justiça. Ali estão expostos recortes de jornal com notícias sobre os crimes da ditadura, fotografias, os nomes das pessoas que morreram aguardando uma decisão do governo.

Julio Llanos passou diversas temporadas na cadeia, a maior parte durante a ditadura do general Hugo Banzer. Numa delas, perdeu parte do dedo médio da mão esquerda. No vídeo abaixo ele conta como foi a tortura que resultou na mutilação.

Ninguna mujer nace para puta

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Na minha passagem por La Paz, tive a oportunidade de conhecer o movimento feminista Mujeres Creando e sua base de operações, a Virgen de los Deseos. Ali, na calle 20 de octubre, entre Aspiazu y J.J. Pérez, na zona Sopocachi, mulheres fortes, feministas, anarquistas e combativas desenvolvem um trabalho de extrema importância na luta em defesa dos direitos humanos.

No vídeo abaixo, uma curta entrevista que fiz com Julieta Ojeda, responsável pelo Virgen de los Deseos, sobre a proposta de trabalho da organização.

O ambiente é muito interessante, e os grafites nas paredes transmitem a energia do processo criativo que ali se desenvolve.

Numa época em que  agressões contra as mulheres continuam a liderar os casos de violência em praticamente todo o mundo, o Mujeres Creando representa um marco no processo de conscientização de mulheres, que não precisam aprender sobre os abusos que sofrem no dia a dia, e sim desenvolver mecanismos de defesa e de reação para enfrentá-los.

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Uma história da Bolívia

O ex-presidente da Bolívia Carlos Mesa tem uma extensa produção literária, com obras sobre cinema, história e política. Em 2009, ele apresentou a série documental de 24 episódios Bolivia Siglo XX, um registro valioso da história do país.

Abaixo está o primeiro episódio. Os demais podem ser assistidos em sequência no Youtube.

Em busca dos guerrilheiros

Cheguei hoje cedo a Assunção e amanhã começo a série de entrevistas com Martín Almada para o livro Os Últimos Guerrilheiros. Estou num hostel na região central da cidade, numa área bem residencial, com poucos prédios e muitas casas. As ruas sem movimento nesse fim de tarde de domingo estão ainda mais vazias por causa da chuva que cai agora na capital paraguaia.
Gostaria de compartilhar com todos a alegria de estar aqui, realizando a primeira etapa do projeto. E registrar que esse momento só é possível graças à confiança e generosidade de todos os que apoiaram a viagem para recuperar a trajetória de três pessoas que fazem parte da história da América do Sul.
Martín Almada, Loyola Guzmán e Douglas Bravo são pessoas comuns, ordinárias, cujas escolhas pessoais as colocaram em situações extraordinárias. Enfrentaram a prisão, a tortura e a perda de parentes e amigos em busca de um ideal.
Confesso que nunca havia ouvido falar de nenhum dos três até começar a estudar o tema. Quanto mais leio e pesquiso, mais interessante acho a história deles e de seus países. Escrever Os Últimos Guerrilheiros é um mergulho profundo na história da América do Sul, desde a chegada dos europeus, o processo de partilha dos territórios, a colonização, as guerras de independência, a Guerra do Paraguai, a Guerra do Chaco, as guerrilhas nos países, os golpes e contragolpes que parecem não ter fim e com os quais ainda convivemos.
Cada um desses acontecimentos teve impacto profundo nos países e em seus povos. Impediram o crescimento, o acesso à educação e ao conhecimento essenciais para o desenvolvimento das nações.
Espero que a tarefa de reconstituir a trajetória de Martín Almada, Loyola Guzmán e Douglas Bravo contribua para jogar alguma luz sobre nossa história.
Apareçam sempre!

A Guerra do Chaco

A Guerra do Chaco (1932-1935), entre a Bolívia e o Paraguai, é um dos episódios mais dramáticos da história sul-americana. No conflito, a Bolívia perdeu um terço de seu território para o Paraguai. Como pano de fundo estava o controle das reservas de petróleo na região, disputadas por multinacionais. No conflito, a Bolívia perdeu um terço de seu território para o Paraguai. Entre 56 mil e 65 mi pessoas morreram, o equivalente a 2% da população. Do lado paraguaio houve 36 mil mortes, cerca de 3% da população.

Estes dois documentários são uma excelente introdução a um tema praticamente desconhecido dos brasileiros.