Tempos de ditadura

“Tempos de ditadura” é um documentário de Carlos Oteyza sobre a ditadura de Marcos Pérez Jiménez na Venezuela.

Uma aula.

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De quando Douglas Bravo fugiu da prisão

IMG_0109.jpgDouglas Bravo é um dos guerrilheiros mais destacados da Venezuela. Foi preso, torturado, viveu nas montanhas e agora, aos 84 anos, continua na jornada revolucionária.

No vídeo abaixo, ele conta como fugiu da prisão, em 1964.

Pompeyo Márquez

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Pompeyo Márquez e o cachorro Rocky

O jornalista e ex-senador Pompeyo Márquez foi colaborador das guerrilhas venezuelanas nas décadas de 60 e 70. Aos 94 anos, fala com uma voz rouca, tem dificuldade para articular algumas palavras  e uma tosse que o interrompe com frequência. Foi preso pela primeira vez aos 14 anos, por distribuir um manifesto em protesto pela morte de um estudante na Universidade da Venezuela. Integrante do Partido Comunista da Venezuela, foi comissário político do grupo guerrilheiro de Douglas Bravo, que operava na região da serra de Falcón.

Detido em 1964 pelo governo boliviano, escapou da prisão por um buraco cavado a partir de uma casa vizinha ao quartel onde Pompeyo estava preso. Ontem à tarde conversei com ele em sua casa, num bairro tranquilo de Caracas.

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O corpo e a saúde estão frágeis, mas os olhos atentos de Pompeyo brilham quando relembra a luta política contra as ditaduras na Venezuela.

Traumas de uma ditadura

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Julio Llanos Rojas

Estive em La Paz de domingo a sexta-feira da semana passada. Pouco tempo, é verdade, mas uma oportunidade para travar contato com pessoas com histórias fascinantes e que me apontaram caminhos igualmente fascinantes nessa jornada para conhecer um pouco da realidade boliviana.

Um dos relatos que mais me impressionou foi o de Julio Llanos Rojas, ex-preso político, vítima da tortura e lutador em defesa dos direitos humanos. O post anterior também foi sobre ele. Para ler, clique aqui.

Gravei três vídeos curtos com Julio. Neste, ele conta como sua família sofreu no período da ditadura, e os traumas psicológicos sobre a esposa e os três filhos.

Julio Llanos Rojas

FullSizeRenderJulio Llanos Rojas não tem metade do dedo médio da mão esquerda. Sobre isso falaremos mais adiante. Faz mais de quatro anos que Llanos e um grupo de vítimas da ditadura boliviana (1964-1982) estão acampados em vigília em frente ao prédio do Ministério da Justiça, na Avenida Mariscal Santa Cruz, uma das principais da capital La Paz.

Desde o início do movimento, as barracas em que os integrantes do grupo se revezam foram atacadas, incendiadas, depredadas e 19 dos ativistas, boa parte com mais de 70 anos, morreram à espera que suas reivindicações sejam atendidas.

O grupo faz seis reivindicações ao governo da Bolívia:

  1. a criação de uma Comissão da Verdade, Justiça e Reparação;
  2. que os arquivos em poder das Forças Armadas referentes às ditaduras sejam desclassificados;
  3. o cumprimento da Lei 2.640, de março de 2004, que prevê o ressarcimento às vítimas da violência política em períodos de governos inconstitucionais;
  4. cumprimento de resoluções da ONU e do Comitê Contra a Tortura;
  5. revisão das decisões judiciais que consideraram as ações das vítimas desqualificadas, desestimadas e improcedentes;
  6. convocação para a apresentação de novas ações pelas vítimas que ainda não o fizeram.

Conversei com Julio Llanos na manhã da última quarta-feira, dia 17 de agosto, no acampamento improvisado em frente ao Ministério da Justiça. Ali estão expostos recortes de jornal com notícias sobre os crimes da ditadura, fotografias, os nomes das pessoas que morreram aguardando uma decisão do governo.

Julio Llanos passou diversas temporadas na cadeia, a maior parte durante a ditadura do general Hugo Banzer. Numa delas, perdeu parte do dedo médio da mão esquerda. No vídeo abaixo ele conta como foi a tortura que resultou na mutilação.

Ninguna mujer nace para puta

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Na minha passagem por La Paz, tive a oportunidade de conhecer o movimento feminista Mujeres Creando e sua base de operações, a Virgen de los Deseos. Ali, na calle 20 de octubre, entre Aspiazu y J.J. Pérez, na zona Sopocachi, mulheres fortes, feministas, anarquistas e combativas desenvolvem um trabalho de extrema importância na luta em defesa dos direitos humanos.

No vídeo abaixo, uma curta entrevista que fiz com Julieta Ojeda, responsável pelo Virgen de los Deseos, sobre a proposta de trabalho da organização.

O ambiente é muito interessante, e os grafites nas paredes transmitem a energia do processo criativo que ali se desenvolve.

Numa época em que  agressões contra as mulheres continuam a liderar os casos de violência em praticamente todo o mundo, o Mujeres Creando representa um marco no processo de conscientização de mulheres, que não precisam aprender sobre os abusos que sofrem no dia a dia, e sim desenvolver mecanismos de defesa e de reação para enfrentá-los.

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Na sala de tortura

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O lugar que mais me impressionou no Museo Memorias, em Assunção, foi a reprodução de uma cela de tortura. Os presos políticos eram afogados na banheira cheia de água com excrementos. No momento da tortura, o volume do rádio era colocado no volume máximo para abafar os gritos de dor e não chamar a atenção da vizinhança. Um boneco enrolado em panos e amarrado com correntes e arame farpado aumenta o drama.

A casa em que funciona o Museo Memorias foi sede da Dirección Nacional de Asuntos Técnicos del Ministério del Interior, uma instituição criada em 1956 pela ditadura Stroessner para controlar os cidadãos considerados inimigos do Estado. Ali ficava o escritório do coronel americano Robert K. Thierry, especialista enviado pelo governo dos Estados Unidos para treinar as forças policiais e militares em técnicas de interrogatório. Foi assim que a casa se tornou uma prisão e centro de torturas.