O massacre de Curuguaty

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Camponeses de Curuguaty protestam contra os companheiros assassinados

A luta pela terra continua no centro de grandes conflitos e está na raiz de diversos movimentos guerrilheiros na América Latina. No Paraguai, assim como no Brasil, as disputas entre pequenos agricultores e latifundiários estão longe de serem resolvidas. O caso que atualmente mobiliza a opinião pública paraguaia aconteceu em 2012, na localidade de Curuguaty, distante 240km de Assunção.

Em maio de 2012, camponeses ocuparam uma área pertencente ao Estado para protestar contra a falta de terras. Semanas depois, o governo determinou a saída dos agricultores, oferecendo-lhes terras em outro local. Ante a recusa das famílias, começaram os enfrentamentos com a polícia até o confronto em que morreram 11 camponeses e seis policiais. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Curuguaty. Para saber mais, clique aquiaqui e aqui.

A partir daí, surgem diversas versões para o ocorrido. Os policiais alegam que foram emboscados pelos camponeses, e que entre eles havia integrantes do Ejercito del Pueblo Paraguayo (EPP), um grupo armado que atua em alguns distritos no noroeste do país.

O caso acabou contribuindo para a queda do então presidente da República, Fernando Lugo, e abriu uma crise política no país que está longe de terminar. Principalmente depois que a Justiça condenou 11 camponeses pela morte dos policiais. O episódio remete ao Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996 no estado do Pará. Dezenove trabalhadores sem-terra foram mortos. Dos 154 policiais militares denunciados pelo Ministério Público, apenas 2 foram condenados por homicídio doloso.

Desde então, familiares dos condenados estão acampados em frente ao prédio do tribunal. Há um grande movimento no país para que se reveja o caso e se reverta a condenação. o líder político Domingo Laíno, ex-preso político da ditadura de Alfredo Stroessner e ex-candidato à presidência do Paraguai, está à frente das manifestações.

Hoje, às 18h, houve um protesto das famílias dos presos em frente ao tribunal de Justiça. Laíno esteve lá e aproveitei para gravar um vídeo em que ele explica de forma sucinta o caso.

E abaixo um documentário sobre o massacre.

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