Julio Llanos Rojas

FullSizeRenderJulio Llanos Rojas não tem metade do dedo médio da mão esquerda. Sobre isso falaremos mais adiante. Faz mais de quatro anos que Llanos e um grupo de vítimas da ditadura boliviana (1964-1982) estão acampados em vigília em frente ao prédio do Ministério da Justiça, na Avenida Mariscal Santa Cruz, uma das principais da capital La Paz.

Desde o início do movimento, as barracas em que os integrantes do grupo se revezam foram atacadas, incendiadas, depredadas e 19 dos ativistas, boa parte com mais de 70 anos, morreram à espera que suas reivindicações sejam atendidas.

O grupo faz seis reivindicações ao governo da Bolívia:

  1. a criação de uma Comissão da Verdade, Justiça e Reparação;
  2. que os arquivos em poder das Forças Armadas referentes às ditaduras sejam desclassificados;
  3. o cumprimento da Lei 2.640, de março de 2004, que prevê o ressarcimento às vítimas da violência política em períodos de governos inconstitucionais;
  4. cumprimento de resoluções da ONU e do Comitê Contra a Tortura;
  5. revisão das decisões judiciais que consideraram as ações das vítimas desqualificadas, desestimadas e improcedentes;
  6. convocação para a apresentação de novas ações pelas vítimas que ainda não o fizeram.

Conversei com Julio Llanos na manhã da última quarta-feira, dia 17 de agosto, no acampamento improvisado em frente ao Ministério da Justiça. Ali estão expostos recortes de jornal com notícias sobre os crimes da ditadura, fotografias, os nomes das pessoas que morreram aguardando uma decisão do governo.

Julio Llanos passou diversas temporadas na cadeia, a maior parte durante a ditadura do general Hugo Banzer. Numa delas, perdeu parte do dedo médio da mão esquerda. No vídeo abaixo ele conta como foi a tortura que resultou na mutilação.

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