Martín Almada

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Ficha criminal de Martín Almada

Martín Almada tem 79 anos e mora em Assunção, capital do Paraguai. Em 1974 ele foi preso pela ditadura de Alfredo Stroessner acusado de ligações com o grupo guerrilheiro argentino Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP) e de planejar a derrubada do governo. Passou três anos preso, seguindo o roteiro básico dos desafetos do regime.

As sessões de tortura tinham uma característica especial nos porões da ditadura paraguaia. Para abafar os gritos de dor das vítimas, os torturadores colocavam música brasileira em alto volume. A violência estendia-se também a Celestina, esposa de Almada à época. Os agentes da repressão telefonavam para que ela escutasse os gritos do marido.

A tortura psicológica imposta a Celestina não tinha limites. Uma noite, recebeu uma ligação pedindo que fosse buscar o cadáver do marido. Abalada por toda a situação, ela não resistiu à notícia e faleceu.

Almada ficou preso até 1977. Só foi solto depois de muita pressão de organismos internacionais de defesa dos direitos humanos e de uma greve de fome. Libertado da prisão, obteve asilo no Panamá, viveu e trabalhou na França até retornar ao Paraguai, depois do golpe que derrubou Stroessner.

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Martín Almada e pesquisadores

Ativista dos direitos humanos, Martín Almada ganhou destaque internacional em 1992, quando recebeu um telefonema com informações sobre supostos documentos da ditadura paraguaia. Numa delegacia na periferia de Assunção, milhares de registros de prisões, torturas, assassinatos, fichas criminais de presos políticos e documentos da Operação Condor, a aliança entre as ditaduras do Cone Sul, estavam abandonados numa sala.

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Carta-convite do governo chileno para a reunião que formalizaria a criação da Operação Condor

Os documentos ficaram conhecidos como Os Arquivos do Terror, e foram essenciais para esclarecer parte da história da ditadura Stroessner e suas ligações com outros governos militares da região.

O vídeo abaixo mostra o dia em que se chegou aos arquivos.

Almada e a esposa Maria Stella Cáceres Almada administram o Museo Memorias (Museo de las Memorias), que funciona na antiga sede da Dirección Nacional de Asuntos Técnicos del Ministerio del Interior, criada em 1956 para controlar a população considerada inimiga do Estado.

Martín Almada nunca pegou em armas para lutar contra a ditadura. Não seria, portanto, um guerrilheiro clássico, mas terá seu perfil incluído no projeto Os Últimos Guerrilheiros porque sua luta, além de igualmente importante, valeu-se de outras frentes para ajudar na volta da democracia ao Paraguai.

#osultimosguerrilheiros

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